terça-feira, 31 de dezembro de 2019

SARCOPENIA


   Sarcopenia, palavra de origem grega, significa "perda de carne" e é  traduzida como baixa força muscular. Os principais fatores de risco da sarcopenia são: idade avançada, inatividade física e desnutrição. As consequências são manifestadas por fraqueza, perda de peso, lentidão, declínio da função física e fadiga. 
   Evitar o sedentarismo  e a má alimentação é a melhor forma de não desenvolver fragilidade física e sarcopenia. Atividade física de 180 minutos por semana, ingestão diária de pelo menos quatro frutas diferentes, hortaliças e verduras (quanto mais colorida, melhor) e 2,5 litros de líquidos, previne  tanto a desnutrição como a desidratação. A ingestão de 1-1,2g/Kg/dia de proteinas preserva a massa muscular do idoso. A proteína HMB (beta-hidroxi-beta metil-butirato) associada à vitamina D tanto pode prevenir como tratar a sarcopenia.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

ASMA

   A asma, identificada por inflamação crônica de vias aéreas tem como consequência uma redução no fluxo aéreo. Falta de ar, chiado no peito, sensação de aperto no tórax e tosse, ora seca ora com secreção, são as principais queixas relatadas.
    Vários fatores influenciam o curso da asma, dificultando seu controle e tornando as crises mais frequentes e ou mais graves, tais como: exposição ambiental à produtos químicos, fumaças, fungos e poeiras de casa (ácaros); epitélios, pelos e penas de animais; tabagismo (mesmo passivo); certos medicamentos; irregularidade no tratamento por medo ou restrição financeira e uso inadequado do dispositivo. Todas essas questões deverão ser tratadas com seu médico. A exposição aos fatores enumerados aumenta o risco de exacerbações, dificulta ou mesmo impede o controle da asma. A consequência é a piora progressiva da doença. 
   O foco no tratamento da asma visa o controle sintomático, manutenção das atividades rotineiras, evitar ou reduzir as exacerbações e complicações no futuro.
   O tratamento medicamentoso da asma implica no uso contínuo e regular de medicamentos compostos tanto de corticoides inalatórios como de broncodiladores de longa ação.  O uso associado ou isolado desses medicamentos, inclusive do tipo de dispositivo, é individual e depende do perfil de cada paciente e da opção do seu médico, considerando variáveis inerente ao curso e manifestação da asma.
   A automedicação com uso de broncodilatador de curta duração, denominado de resgate, por mais que três vezes por semana ou dois dias consecutivos e várias vezes ao dia, é considerado sinal de gravidade, podendo levar ao óbito por insuficiência respiratória. O acompanhamento médico com consultas e retornos periódicos a cada 3 ou 6 meses para avaliação clínica e exame de função pulmonar (espirometria) são fundamentais para o controle da asma, uma vez que o tratamento é individualizado e requer alterações conforme a evolução da doença e a disponibilidade de novos recursos terapêuticos.
   Várias comorbidades, quando associadas à asma, interferem tanto no controle como nas exacerbações. As mais frequentes: o refluxo gastroesofágico, rinites, sinusites crônicas e polipose nasal, alterações emocionais (ansiedade, depressão), enfisema e bronquite crônica (DPOC= doença pulmonar obstrutiva crônica).
  Cerca de 334 milhões sofrem de asma - é a doença crônica mais comum na infância - que afeta 14% das crianças em todo o mundo. No Brasil, estima-se que mais de 6 milhões de adultos são afetados. Relembrando que asma ainda não tem cura definitiva. 
Obs> ver ainda publicação mais antiga (2011).

VARIEDADES DE DISPOSITIVOS INALATÓRIOS

    No momento há três variedades de dispositivos por via inalatória para uso em asmáticos e portadores de DPOC. Excluímos os pressurizados com CFC (pMDI-clorofluoralcanos) por serem danosos às camada de ozônio: 1) inaladores pressurizados pMDI-HFA (hidrofluoralcanos); 2) inaladores de pó seco (DPI) com três variações de apresentação: Turbuhlaer, Diskus e cápsulas para inalação; 3) inaladores de névoa suave (SMI) na apresentação Respimat. Todos apresentam vantagens e desvantagens e a escolha deverá ser compartilhada e personalizada com cada paciente. O uso de espaçador é recomendado em inaladores pressurizados, principalmente aos idosos debilitados com déficits cognitivos, obstruções severas do fluxo aéreo e crianças.  Cada disparo do jato deverá ser seguido de imediata inspiração profunda. Quanto aos inaladores de pó seco, os pacientes podem ter dificuldades para gerar o fluxo inspiratório necessário para total aproveitamento da dose do medicamento. O inalador de névoa suave é bastante eficiente já que após o disparo do dispositivo ocorre uma nuvem de aerossóis lentos sem necessidade de esforço inspiratório. Exige montagem no primeiro uso e coordenação da inspiração mais lenta e baixo fluxo após o disparo. Cabe ao médico checar periodicamente o correto uso do dispositivo inalatório. Alguns pacientes utilizam compressores para nebulização. Sua utilidade contempla aqueles com grave obstrução ao fluxo aéreo como crise de asma e exacerbação de DPOC. Possuem inúmeras desvantagens: ruído elevado, transporte, inalação demorada, manutenção e principalmente a contaminação. 

DPOC

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (enfisema e bronquite crônica) é a terceira causa de morte no mundo e está diretamente relacionada com a poluição, principalmente o uso de tabaco. Três milhões morrem por causa dela todos os anos.

CANCER DE PULMÃO



É a mais mortal das neoplasias com  1,76 milhão de mortes por ano. Também diretamente relacionada com poluição, principalmente o cigarro.


TUBERCULOSE



A tuberculose é a mais letal das doenças infecciosas, com 1,6 milhão de óbitos anualmente.



CIGARRO ELETRÔNICO

Alerta para crescente número de doenças respiratórias nos Estados Unidos (mais de 1.000 casos) com fortes indícios ligados ao uso de dispositivos eletrônicos de fumar (EVALI - e-cigarette, or vaping product use associated injury), vários deles de elevada gravidade e evolução para a morte. Inúmeras substâncias compõem os vapores desses cigarros: óleos (acetato de vitamina E), pesticidas, aditivos, opioides, metais pesados, venenos, pesticidas e toxinas. Sintomas de alerta inclui tosse, falta de ar, dor no tórax e até convulsões.
Maiores informações: https://emergency.cdc.gov/han/han00421.asp 
https://sbpt.org.br/portal/sbpt-notificacao-casos-evali

quinta-feira, 26 de abril de 2018


        EVITANDO CRISES DE RINITE


   Fazer a faxina, preferencialmente, quando a pessoa alérgica não estiver presente. Quando é o alérgico que faz a limpeza, ele deve usar uma máscara ou pano úmido no rosto. No inverno, o ar fica um pouco mais seco. Portanto, o ideal é não utilizar vassoura para não levantar pó, optando-se por um pano umedecido para retirar a poeira;
   No quarto deve permanecer apenas o essencial. Estante com livros, por exemplo, acumula poeira rapidamente e dificulta a limpeza do ambiente;
   Lavar a roupa de cama e cortinas com água quente semanalmente para eliminar a poeira. Encapar travesseiros e colchões com capas antiácaros; 
  Se tiver carpetes em casa, considere substituí-los por pisos que possam ser limpos com pano úmido;
  Sofás com estofados de tecido acumulam poeira, por isso, prefira aqueles de couro ou vinil;
   Brinquedos de pelúcia e animais de estimação não são bem-vindos no quarto;
   Não use vassouras e espanadores. Dê preferência aos aspiradores de pó com filtro HEPA e use um pano úmido para remover a poeira dos móveis e do chão;
   Mantenha os ambientes arejados e expostos ao sol durante a maior parte do tempo;
   Escolha um estilo de decoração que dispense o uso de cortinas, carpetes, tapetes, almofadas ou de outros objetos que possam acumular poeira difícil de remover;
   Lave as roupas guardadas há algum tempo antes de usá-las novamente;
   Procure acostumar seus animais de estimação a viver fora de casa. Não os deixe subir nos estofados nem nas camas onde as pessoas dormem. 


CUIDADOS COM REFLUXO


Alimente e tome líquidos mais vezes ao dia, mas sempre em quantidades reduzidas. Evite líquidos junto com as refeições
Evite alimentos que dificultam a digestão e facilitam o refluxo:  doces, alimentos gordurosos, chocolates, cafés, chás, condimentos,  (pimentas, alho, cebola), frituras, bebidas alcoólicas,  ácidas ou gaseificadas (refrigerantes)
Evite alimentar-se 3 horas antes de deitar
Evite roupas apertadas na barriga
Perca peso se estiver acima de seu peso ideal
 Não fume
Eleve a cabeceira da cama em 15 cm. Não adianta aumentar travesseiros
Evite deitar-se ou fazer esforço com seu estômago cheio

segunda-feira, 23 de abril de 2018


FEBRE AMARELA E VACINAÇÃO NO IDOSO


Indivíduos com mais de 60 anos e, principalmente acima de 70 anos, tem restrição na administração de vacina para febre amarela, uma vez que a vacina é elaborada com vírus atenuado. Vacinas com vírus atenuado oferecem maior risco tanto a idosos como em pessoas com imunodeficiência ou em tratamento com imunossupressores. Eventual evolução para doença proliferativa em diversos órgãos com disfunção generalizada, falência múltipla e risco de óbito em até 60%, coloca essa população como risco elevado para a indicação da vacina da febre amarela.

terça-feira, 22 de março de 2011

A ESTAÇÃO DO OUTONO E O SISTEMA RESPIRATÓRIO

 A maior variação de temperatura ao longo do dia (choque térmico) e o aumento dos índices de poluição atmosférica é típico da estação do outono. As noites frias trazem um maior confinamento das pessoas em ambientes fechados e pouco ventilados favorecendo a disseminação dos vírus.  Com a necessidade de melhor agasalhar, retira-se dos armários cobertores e casacos repletos de poeiras, ácaros e fungos.  A consequência é um maior número de pessoas com dificuldade de respirar devido a gripes, resfriados, crises de rinite, sinusite e asma e também exacerbações de DPOC - doenças pulmonares obstrutivas crônicas (bronquite crônica e enfisema pulmonar). 

Além do choque térmico, o frio úmido facilita a proliferação de fungos no meio ambiente e é outro agravante pelo aumento da incidência de doenças no outono e inverno, assim como o ar seco que provoca o ressecamento e lesões das mucosas facilitando a penetração e a transmissão por aerossóis de microorganismos.

Outro vilão é a poluição atmosférica, que no inverno concentra poluentes emitidos pelas indústrias e veículos a poucos metros de altura, fenômeno conhecido como inversão térmica. A poluição no campo é devida a queimadas em áreas agrícolas, principalmente da cana de açúcar. A poluição contribui para o agravamento de doenças respiratórias como a asma, bronquite, enfisema e pneumonia. As particulas poluentes irritam as mucosas (revestimento interno  do nariz, boca e olhos), facilitando a entrada de vírus.

Os sintomas da gripe e resfriados são semelhantes, exceto pela sua duração e gravidade. Enquanto os sintomas do resfriado duram de 2 a 5 dias os da gripe prolongam até 9 dias. No resfriado prevalecem a obstrução e secreção nasal, espirros, tosse, dor de garganta e febre baixa. Na gripe esses sintomas são mais acentuados, com calafrios, fraqueza, dores musculares, dor de cabeça, tosse, desconforto no peito e febre alta. O contágio da gripe se dá de pessoa para pessoa através do ar. Os sintomas iniciais da dengue são semelhantes ao da gripe: febre alta, dores intensas de cabeça, olhos, músculos, articulações e ossos.

As alergias respiratórias e as viroses da estação não só interferem na qualidade de vida das pessoas como também muitas vezes pelo seu tratamento, devido aos efeitos colaterais do medicamentos. O controle ambiental é a medida com melhor custo e benefício para o controle da rinite e da asma. Para a gripe, não há tratamento específico. Sintomáticos aliviam a dor de cabeça, febre e congestão nasal, mas o melhor remédio continua sendo o repouso, a hidratação frequente e a boa alimentação. A melhor prevenção contra a gripe é a vacinação anual, pois evita infecções respiratórias mais graves. Deverá ser aplicada nos primeiros dias do outono, já que seu efeito inicia após 4 semanas da aplicação.


O médico deverá ser procurado quando a febre for alta e persistente, ocorrer sangue nas secreções nasal ou eliminadas pela tosse, dor no peito ou nas costas, vômito e diarréia por mais de um dia (principalmente em crianças e idosos), dor ou dificuldade na deglutição, persistência da tosse ou outros sintomas por mais de dez dias.

quarta-feira, 2 de março de 2011

ASMA BRÔNQUICA

Também conhecida popularmente de bronquite asmática ou bronquite alérgica, a asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas com implicações genéticas e ambientais. Está presente em aproximadamente 10% da população. Apesar de ser mais freqüente em crianças, pode aparecer em qualquer idade. Os principais sintomas da asma: falta de ar, chiado e tosse são decorrentes da sensibilidade exagerada das vias respiratórias a diversos estímulos. Esses estímulos, principalmente aqueles encontrados no nosso ambiente, causam o estreitamento dos brônquios devido à combinação de três fatores: 1) contração dos músculos que envolvem essas estruturas; 2) inflamação crônica no seu revestimento interno (mais importante) e, 3) formação de muco pegajoso no seu interior. Dependendo do grau de obstrução brônquica a crise de asma poderá ser fatal. Felizmente, com os o tratamento adequado, as crises tendem a reverter-se em curto espaço de tempo. Nessa situação o importante é manter a calma, pois a ansiedade sempre piora a crise. Recomenda-se ainda não abusar da medicação broncodilatadora (bombinha).
Como ainda não existe uma cura definitiva para a asma, a melhor forma de conviver com ela é evitar os fatores desencadeantes. Os mais conhecidos são: exercícios físicos, gargalhadas, gripes e resfriados, variações climáticas bruscas, fumaças, mofo, pólen, pêlo e epitélio de animais, penas de aves, produtos químicos (inclusive os domésticos), insetos (baratas), determinados medicamentos (anti-inflamatórios) e principalmente a poeira doméstica pela presença de ácaros.  O ácaro, invisível a olho nu, é encontrado em grande quantidade em tapetes, cortinas, livros e revistas,  almofadas, cobertores, travesseiros e colchões, brinquedos de pelúcia.
O ambiente doméstico é apontado como uma das maiores causas do aumento da incidência de asma principalmente em crianças. A chamada poluição in door foi estimada em até cinco vezes superior à externa. Má ventilação e umidade também são considerados fatores agravantes, ou provocadores de crises de asma. Para melhorar a qualidade do ar em casa ou no trabalho é necessário atenção principalmente ao sistema de ventilação e refrigeração. O aparelho de ar condicionado deverá passar por manutenção periódica por profissional credenciado. A fumaça do cigarro impregna o ambiente com cerca de 5 mil componentes tóxicos e cancerígenos. Urina e saliva de pets permanecem no ambiente em até seis meses, causando problemas respiratórios. Fogões e aquecedores a gás são emissores de produtos tóxicos, principalmente se estiverem desregulados.
A educação do asmático e sua família é uma prioridade na medicina moderna em todo o mundo. Transferir conhecimentos sobre a asma contribui para mudança no comportamento tanto do paciente como de seus familiares e, em última análise, um ganho na qualidade de vida. De todos os avanços já alcançados no manejo da asma, é na prevenção e na educação do paciente que se concentram os esforços mais promissores. A adesão é essencial ao tratamento, assim como o esforço conjunto entre os profissionais (Médico, Enfermeira, Fisioterapeuta, Psicólogo, Assistente Social e Nutricionista) envolvidos em trabalhar de forma integrada e visando os mesmos objetivos.
O primeiro programa em Londrina focando a educação e controle da asma foi desenvolvido no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina em meados da década de 90 e denominava-se Programa Interdisciplinar de Educação e Controle da Asma onde um grupo de profissionais: Denison Noronha Freire, Laryssa Milenkovich Bellinetti, Zeila Cristina Facci, Carmen Lúcia L. Garcia, Myrian Ine I. Kikuchi e Luziane Dalla Costa orientaram durante mais de dez anos um grupo heterogêneo de asmáticos com excelentes resultados.
A enfermagem orientava aos asmáticos e familiares da importância do controle ambiental, o médico do arsenal terapêutico disponível e como usar a medicação, a fisioterapeuta através da busca do equilíbrio físico e como respirar melhor, a psicóloga como manter o equilíbrio emocional, a nutricionista como adequar a alimentação e a assistente social como conseguir soluções.

TESTANDO O COVID-19     Reflexões de duas mulheres no passado, mas que espelham a situação atual da pandemia: “QUANDO NADA É CERTO, TUDO É...